Queria falar sobre o amor com o domínio de quem nunca teve.
Amor no sentido de romance, esquecendo a parte fraternal e amizades, claro.
Carrego na mala alguns projetos de relacionamentos, uns quase namorados, meios
carinhos e fins inteiros, sem nem ter havido começos. Mala pesada, que vira e
mexe prejudica minha coluna, mas poderia ser pior. Sou viciada em atropelar as
coisas e sair jogando vírgulas pra tudo que é canto, vivo com a impressão de
que meus começos já são os meios e talvez nem seja impressão. Sou mal
acostumada a ser sincera e isso nunca me permitiu jogar, trocar de papel
conforme a trama mudasse a direção. E quem não joga em tabuleiro, tende a virar
peão. Queria dizer que tô acostumada demais a sofrer e, talvez por isso,
reconheço e acolho as dores de todas as minhas tentativas de amor e me assusto
com coisas que só fazem bem, sem nem arranhar. Não sei quase nada do amor. Nada
além de romances literários que vejo no colégio, filmes de comédia romântica,
desabafo de amigas e umas poucas tentativas extremamente mal sucedidas. Conheço
e admiro de nome, mas queria compartilhar minha única certeza: amor mesmo não
dói...

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